terça-feira, 15 de julho de 2008

Soneto de saudação à morte

Quem dera que num momento atroz
De remorso e dor teu coração palpitasse
E que esta dor de tão vil te matasse
Pegando o bonde da morte, a correr veloz.

Descendo a tumba úmida e gelada
Com a alma em chamas a sofrer velada
Padecendo a ferver no altar dos mortos
Sob a guarda de anjos, que de mal andam tortos.

Ficarei feliz no meu calabouço
Padecendo a distância entre vivos e mortos
Longe da vida, perto da morte, em paz te ouço.

Vejo arrepender-se e a solicitar-me um anjo
Que desça dos céus aos escombros seus
Na vida sou anjo da guarda, na morte serei arcanjo.

Josias Faustino

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