terça-feira, 15 de julho de 2008

O espanto

A penumbra da noite é triste
Sem a aquarela azul do teu olhar
Invoquei e clamei ao vazio dos céus
Sem estrelas, sem luar
Que me faças de mim
Um astronauta errante da noite
Sem brisa e sem orvalho
Do suplício a calma
Que me persegue a sombra
Do teu manto, os encantos
Que outrora foi meu
Resta-me o espanto
Que como um vácuo espalha
E se desfaz sozinho
Seguindo um outro caminho
Para outros céus distantes
Outros braços, outros colos
Consolo dos teus ais
Ais de amor, ais de dor
Que solenemente e sem ressalvas
Conclamas aos meus murmúrios
Que numa lamentação sem fim
Vejo o espanto da noite
Levar-te pra longe de mim.

Josias Faustino

Nenhum comentário: