terça-feira, 15 de julho de 2008

Soneto de um amor sem razão de ser

Se o não saber te amar não fosse um sonho louco
O impossível de ser, nunca teria começo e fim.
Se tudo acabou sem começo e se desfez aos poucos
É que o começo de tudo estava apenas em mim

Na vida eu sinto, pressinto e depois me iludo.
É que o não saber amar é de tudo padecer um pouco
Pois o amar sem uma razão de ser é dar cabo de tudo
É ver desmoronar, um destino não traçado, num bramido rouco.

Se de repente e solenemente te amei sem querer
Longe de perceber que o destino, marca e traça os planos.
Pois o sentido de amar sem ser amado é padecer e sofrer

Quanto mais breve e suave seja o tempo de amar
Pra que sem marcas do tempo, o tempo o possa apagar.
Pois o sentido de amar sem ser amado é padecer e sofrer.

Josias Faustino

Soneto de saudação à morte

Quem dera que num momento atroz
De remorso e dor teu coração palpitasse
E que esta dor de tão vil te matasse
Pegando o bonde da morte, a correr veloz.

Descendo a tumba úmida e gelada
Com a alma em chamas a sofrer velada
Padecendo a ferver no altar dos mortos
Sob a guarda de anjos, que de mal andam tortos.

Ficarei feliz no meu calabouço
Padecendo a distância entre vivos e mortos
Longe da vida, perto da morte, em paz te ouço.

Vejo arrepender-se e a solicitar-me um anjo
Que desça dos céus aos escombros seus
Na vida sou anjo da guarda, na morte serei arcanjo.

Josias Faustino

A Cratera do Amor

Entre abismos e vulcões
Ouço o canto e a ópera da desgraça
Num magistral colosso e desatino
Tornei-me impuro por não ser digno de ti
Só me resta a cratera do amor
Subterfúgio dos desamados
Suspirarei o vento e a poeira dos vulcões
Farei companhia aos pedregulhos
Fruto do teu orgulho
Vou soterrar essa paixão
Que me afunda os pés
Que petrifica o peito
Pra meu coração não mais bater
Lá onde meu corpo não pode se mover
Longe de ti, me perco.
Me desfaço em pó de esterco
E num abismo sem fim
Sem você perto de mim
Só me resta a cratera do amor
Subterfúgio dos desamados...

Josias Faustino

O espanto

A penumbra da noite é triste
Sem a aquarela azul do teu olhar
Invoquei e clamei ao vazio dos céus
Sem estrelas, sem luar
Que me faças de mim
Um astronauta errante da noite
Sem brisa e sem orvalho
Do suplício a calma
Que me persegue a sombra
Do teu manto, os encantos
Que outrora foi meu
Resta-me o espanto
Que como um vácuo espalha
E se desfaz sozinho
Seguindo um outro caminho
Para outros céus distantes
Outros braços, outros colos
Consolo dos teus ais
Ais de amor, ais de dor
Que solenemente e sem ressalvas
Conclamas aos meus murmúrios
Que numa lamentação sem fim
Vejo o espanto da noite
Levar-te pra longe de mim.

Josias Faustino

O MAIS INCRÍVEL

O mais incrível não foi te conhecer
O mais incrível foi poder te envolver em meus braços
O mais incrível não foi te amar sem limites
O mais incrível foi ser amado por ti loucamente
O mais incrível não foi ter sonhado contigo todas as noites
O mais incrível foi ter compartilhado contigo os melhores momentos da minha vida
O mais incrível não é saber que você me esqueceu
Afinal, o mais incrível é saber que fui traído, e sempre fui fiel.

Josias Faustino

AS DUAS FACES

Sonhando...
Amando...
Beijando...
Ficando...
Transando...
Rolando na cama sem sono
Balbuciando num recanto sozinho
Beijando as palavras e suspirando os versos
Ficando na solidão do meu quarto vazio
Transando os versos do meu poema...

Josias Faustino

ILUSÃO

Olhei para o céu
Olhei para o mar
Foi quando eu vi você
Querendo me beijar
Esqueci o céu
mergulhei no mar
E, nadando sobre as águas
não pude te encontrar
Olhei para as ondas
querendo me envolver
abracei as águas louco pra te ver
eras uma sereia que me encantavas
E seu belo canto meu corpo abrasava
Más ao aproximar-me
Ela se afastava para muito além
Descobrir que esta sereia
Não era ninguém.

Josias Faustino